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segunda-feira, 8 de abril de 2013

2. Like a Rolling Stone

Go to him now, he calls you and you can't refuse
When you ain't got nothing
You got nothing to lose.

Hoje andei por horas
Atrás de um álibi, uma saída
Acordei perdida; acordei caída.

domingo, 23 de dezembro de 2012

sábado, 8 de dezembro de 2012

Primeiro poema


O que quero não é importante
Diante daquilo que querem de mim
E, ah, essas ordens eu bem conheço!
“Estude, trabalhe, procrie,
Vista a máscara, torne-se a máscara.
És inteligente; defenda o comunismo e
Viva o capitalismo!
Se entretenha, para isso existem os vampiros.
Quem é esse tal de Aldous Huxley?
Olhe para esta boneca, tão bela...
Sei que queres ser como ela.
Olhe para este novo modelo, é revolucionário!
Sei que queres virar teu escravo.
Descanse, dance, balance.
Aceite, respeite.”
Mas quero mais do que isso, além disso
Quero o inexistente e descontente,
O verdadeiro e passageiro.
Quero cair, me jogar, me quebrar em mil pedaços
Existir e resistir.


Primeiríssimo. 

domingo, 21 de outubro de 2012

Humanos, de menos humanos!

É noite de espetáculo,
de cores tão vivas e pessoas tão mortas;
de casos e acasos tão longes do solo.
Ora, mais valem verdades por linhas tortas!

Me mostram sorrisos tabelados
e me vendem mentiras ensaiadas.
Condenam olhares chocados
e condenam máscaras desmascaradas.

Um dia o velho gritou "Não é certo!
No meu tempo as coisas foram diferentes...
Na minha época não fiquei quieto,
na minha época me arrancaram os dentes."

Cretino! Mentiroso!

Século atrás, século a frente
e diga-me, mudou o quê?
Não houve povo outrora contente.
Desde sempre pessoas por quê?

Humano, de menos humanos;
de movimentos planejados,
de alegria por baixo dos panos,
de pensamentos engradados.

Dos velhos arrancam as dentaduras
enquanto dos jovens arrancam as asas.
Algo falta, sempre falta.
Falta o algo.

Algo pelo que gritar, mudar, quem sabe até lutar.
Falta o que falta, falta o algo.
Esse algo que não sei, falta decifrar
Falta que o algo torne-se algo.

Humanos, de menos humanos.
Condenados a sentir falta desse algo
que nos torne demasiadamente humanos.
Mas ser humano dá preguiça.

E preguiça não rima com algo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Tempo


quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele
soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
                      e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
 um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
Viviane Mosé

terça-feira, 16 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quisera eu que isso fosse um poema.

Quisera eu algum dia ser poeta
E com olhos assim tão ternos
O mundo ditar.
Quisera eu na ponta da caneta
Deter o destino, o amor, o ardor
Fazer do papel realidade idealizada
E na ideia assim mergulhar.
Quisera eu me iludir!
Quisera eu ao menos uma vez
Os olhos fechar e na mente divagar
Caminhar pelo paraíso do poeta
A avenida do cronista
O jardim do romancista.
Quisera eu as palavras decifrar
E nelas a beleza encontrar.
Fugir para o desconhecido...
Quem liga para o hoje? O importante é o amanhã!
Este amanhã tão belo e assustador
Este amanhã incerto
Este amanhã que hoje surge.
Mas não sou poeta e na noite não enxergo o arco-íris
Não se confunda, querido leitor - isso não é um poema
Não há nestas linhas tortas lirismo, rima, sentimento
E não existe poema sem sentimento!
Hei de julgar-me pela falta de parágrafos
E por uma página o chão abandonar.
Quisera eu algum dia ser poeta.
Quisera eu...
Voltemos à prosa!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Todos os meus livros têm manchas de café

 Parei pra pensar no café.
 Nunca fez muito sentido, esse meu amor pelo café.
 Não só amor - admiração, vício e até uma certa idolatração.
 Adulação.
 Porque é o café minha divindade, meu transcendente, meu rei e governante.
 O café não te abandona, não faz de você mero objeto.
 O café não te machuca.
 É capaz de transformar a fervura em conforto
 E o amargo em alívio.
 É um prazer simples, alcançável, fácil.
 Não é preciso esperar que o café te encontre.

(Achei isso num caderno antigo, e sim, ele termina de repente... Não lembro o por quê disse mas foi interessante ver coisa passada.)

sábado, 22 de setembro de 2012

Te encontro e quero te perder

02/09/2012
Me acostumei a mentir, querido
Ao dizer que não te tenho aqui comigo.
Te encontro em noites mal dormidas,
em canções desafinadas,
te encontro onde me perco.
És como o cisco doloroso que incomoda os olhos,
és corrente de brasa - te encontro no café que queima a garganta.
Te encontro no escuro;
tua voz tão clara quanto os primeiros raios de sol.
Te encontro na oração descrente.
Te encontro no espelho quebrado.
Te encontro na mesma música e dança velha, meu amigo.
Te encontro e quero te perder.

A vida não é feita de suposições.

15/09/2012
 Leio o que quero, suponho que terminou. 
 Leio o que não quero, suponho que virei passado. 
 Suponho que não escreverei mais sobre ti,
 Suponho que sempre soube que me enganava.
 Me recuso a admitir - digo que é suposição
 Mas suponho que nunca vou parar de supor. 
 Suponha que a realidade venha à tona; 
 Que eu abra os olhos e veja que a vida não é feita de suposições.
 Talvez o céu não seja mais azul, 
 Talvez não existam palavras,
 Talvez eu descubra que não faz mais parte de mim.
 A vida não é feita de suposições.
 A vida não é feita de suposições.
 A vida não é feita de suposições.
 (Quem sabe se eu repetir aprenda que
 A vida não é feita de suposições).