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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

I have become comfortably numb

And I can feel one of my turns coming on
And I feel cold as a razorblade
Tight as tourniquette and dry as funeral drum
Run to the bathroom, in the suitcase in the left you'll find my favorite axe
Don't look so frightened, this is just a passing phase
ONE OF MY BAD DAYS
Would you like to watch TV or get between the sheets or contemplate the silent freeway? 
Would you like something to eat? Would you like to learn to fly?
Would you like to see me try?

O que significam os tijolos n'O Muro (nas minhas palavras): 

1. Cada vez que alguém se silencia em benefício de outra pessoa; 
2. Cada vez que alguém se silencia por medo de estender a mão e pedir ajuda; 
3. Cada vez que alguém se silencia por não saber como estender a mão e pedir ajuda; 
4. Cada vez que alguém sente que poderia receber ajuda, mas não existe ninguém disposto a estender a mão;
5. Cada vez que alguém chega ao limite de si mesmo, mas nunca tem a coragem de fazer o último corte
6. Cada vez que alguém tem seus sentimentos diminuídos por quaisquer motivos; 
7. Cada noite passada na companhia de nada além dos próprios pensamentos; 

a movement is accomplished in six stages and the seventh brings return

Dear Emily,

I've watched you run around trees wearing that gown that touches the ground for way too many years now. I've watched you frown and borrow dreams when me and Syd knew it was enough to just keep up with yours and yours only. You've been living somebody else's life and seeing things from somebody else's perspective. Meanwhile, people have playing their free games to try and get to you, but if I may be honest is not your play they wish to see. They want everything they can take from you. And while they take it, you remain silent. Hardly a sound until tomorrow. These nights of your have been wild, haven't they? You've been playing around town. You've been talking to strangers and walking through all those means streets trying to find yourself and you kept forgetting that it's you in those old notes from your favorite song. You know, the one which's sort of a second part to the song that has your name on it. Jugband Blues. It feels weird, doesn't it? To wonder who could be writing this. To reach the point where you're so lost in your own ground that you don't even recognize the person starring at you at the mirror. Well, there is something I can tell you, dear Emily: I am you and what you see is me. Together we'll borrow somebody's dreams until tomorrow and keep on being watched by all those meaningless people we will always love. We keep playing. We keep living. We keep crying and gazzing and writing because it's all there is to know. I embrace you now, Emily. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sobre a greve dos metroviários e a chama de uma ideia

Hoje eu saí para trabalhar anormalmente cedo. Estava ciente da greve dos metroviários antes de tudo acontecer e acredito que seja uma das poucas almas que não perdeu a paciência diante dos sufocos enfrentados (o trânsito de quase quatro horas para voltar da Paulista e a impossibilidade de ir trabalhar). Essa indiferença é, na verdade, o maior posicionamento que tomei nos últimos anos. Afinal, não incomodar-se com o incômodo significa abrir mão das facilidades do cotidiano em prol daqueles que estão na estação Ana Rosa levando cacetadas e balas de borracha.
Na verdade, nem tudo foi tão indiferente assim e eu passei pelo maior incômodo ao ouvir que "o direito da greve foi suspenso". Fácil, não é? Conveniente. Difícil mesmo é entender que a suspensão de um direito a qualquer momento que o governo achar conveniente é o mesmo que opressão.
Inclusive, vi muitas sombras e clarezas da opressão ultimamente. A violência da polícia frente aos manifestantes que só exerciam o seu direito, as prisões da manifestantes, a importação de tanques que lançam jatos de água e comentários políticos aos quais deve-se prestar atenção ao que não é dito. Justamente no ano em que completam-se 50 anos do Golpe Militar de 1964, são tantas essas marcas da repressão...
É tudo simples se você parar para pensar. Você pode protestar - desde que não atrapalhe o bom andamento de tudo. Você tem o direito de entrar em greve - até um tribunal achar conveniente criminalizar a sua causa. Você pode desejar um salário mais alto, de acordo com as suas tarefas e suficiente para viver nesse mundo onde tudo o que importa são os número, mas... vamos ser realistas? Faz parte do jeitinho brasileiro se conformar e "se virar" com o que nos é dado. E o governo sabe muito, muito bem disso.
Tenho consciência de que não posso dissertar de acordo com a greve dos metroviários porque não vivo a sua realidade, mas sei bem como é o desejo de lutar pelo que acredito estar certo e ser reprimida de tantas formas que poderia escrever um livro. Acho que isso não vale nada (mas, na verdade, se fizessem como eu, valeria de muito), mas declaro o meu apoio total à greve dos metroviários e de qualquer outro sindicato que esteja cansado de aguentar tudo calado. Que o Brasil faça o barulho digno da torcida das arquibancadas e mude o significado do jeitinho brasileiro. A minha sugestão? Que o jeitinho brasileiro seja a forma como nos mantemos em pé até mesmo diante da Tropa de Choque, uma vez que você pode machucar o homem, mas não pode nunca, jamais, por mais que se tente, matar uma ideia.

domingo, 25 de agosto de 2013

Abre os olhos e descobre o que significa Comfortably Numb

Essa conversa de sentir falta do que costumava ser já ficou tão velha quanto a avenida que costumava chamar de refúgio. Depois de oito meses diretos, essa Paulista virou desgastada. Tá na hora de mudar o discurso, né?
Hoje passeio pelo meu quarto. Muita coisa acontece de um canto ao outro quando sua própria alma se tornou maçante demais; insuportável demais. Percebi que a "antiga eu" nunca deu muito certo. E então decidi que era nova demais pra me preocupar com política; que Pink Floyd traz pensamentos de crise de meia-idade; George Orwell talvez nunca aprendeu a se divertir. Eu me diverti. Céus, como me diverti. Fingi que corpo e mente tinham dezoito anos, mas quem disse que eu gosto de ser adolescente?
Existem dois pólos distantes na minha parede. No primeiro, letras de músicas das minhas bandas preferidas julgam e traduzem o que sempre fui. O segundo parece não se importar; somos humanos ou dançarinos? E The Who grita "you stop dancing!"
Gosto do que fui e do que sou agora. Gosto do meu gosto musical amplo - você sabe, apreciar uma música que te faz arrepiar, mas também dançar sem compromisso ao som de uma canção que não me faça pensar. O problema está naquela crônica sobre o chapéu coco e brincar com as pessoas (entendi minha obsessão por chapéus...) - não foi tão interessante quando deixei que brincassem comigo.
Confortavelmente entorpecida significa encontrar a pessoa que parece perfeita para você e perceber que deixei de ser essencialmente o ideal para ela. Perdi a coragem de despir sentimentos e a ousadia de jogar com as palavras por puro medo de descobrir o que encontraria. Chegou a hora de enfrentar o compromisso: não mais acreditar que sentimentos alheios não importam e que sou jovem e inocente demais para me preocupar com problemas maiores que eu.
Vamos falar sobre equilíbrio?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mother, should I (re)build the wall?

Zona de conforto. Não entendo toda essa algazarra em torno do conceito. O que existe de tão errado em respeitar os limites que você mesmo cria? Sua zona de conforto é, afinal, sua zona de segurança, seu escudo contra qualquer coisa que possa machucar. E por que infernos você iria querer se machucar?
Sair da zona de conforto é desconfortável, constrangedor, perigoso e arriscado. Vou fazer melhot reconstruindo aquele muro de tijolos brancos e canções codificadas.

sábado, 13 de abril de 2013

Boa noite, Charlotte

 Charlotte fechou os olhos, já não tinha piscado por algum tempo. Mas a noite pareceu insuportavelmente vívida ali, com os olhos fechados, então contentou-se por encarar a escuridão. Lá fora, os pingos da chuva que a assustou e acalentou caíam furiosamente sobre os telhados das casas de luzes apagadas e janelas fechadas. Perdera a noção do tempo - talvez já fosse noite novamente. Outra noite de espetáculo para a qual não estava pronta.
 Revirou-se na cama, à procura dos lençóis que se perderam em algum ponto do dia, tarde ou noite. Charlotte encontrava-se vazia, perdida no próprio quarto que de súbito parecia grande demais para confortá-la. Sabia bem onde queria estar. Porém, aprendera por toda a sua vida que o querer é tão, tão diferente do poder. E justo na noite anterior o querer sem poder fizera com que fosse obrigada a aguentar esse silêncio tão ensurdecedor em sua própria casa.
 Não achei que te encontraria em mim mais uma vez, Charlotte. Sabemos o que temos que fazer agora, não é? Primeiro pegaremos aquele 1984 e rasgaremos suas páginas em protesto ao Grande Irmão. Depois colocaremos as palavras da nossa pequena Alice em nossos lábios e faremos delas os nossos mantras. Então será a hora de cantar "if I go insane please don't put your wires in my brain" e torcer para que alguém nos ouça e atenda ao pedido. Abaixaremos os olhos para as cenas românticas na televisão e arrancaremos penas das minhas asas para continuar enchendo essas páginas de metáforas roubadas. Porque você sempre foi parte de mim e eu torço para que me deixe.

domingo, 7 de abril de 2013

1. Summer '68

And I would like to know: How do you feel?

 E eu achei que a música alta demais me ajudaria a manter aquele estado emocional de "pedra de gelo". Foi estúpido esquecer que o gelo derrete com uma facilidade incrível - ainda mais depois de seis horas.
 Talvez tenha sido eu a dizer adeus antes de olá; talvez tenha sido você quem deu a resposta cedo demais. Talvez nenhuma palavra tenha sido dita. Como funciona essa coisa do talvez? As noites são curtas demais, querido. O amanhã é cretino demais.
 O verão de 1968 acabou há 45 anos e de repente nem tudo o que se precisa é amor. 

domingo, 17 de março de 2013

Da falta de coragem.


Through the fish-eyed leans of tear stained eyes
I can barely define the shape of this moment in time
And far from flying high in clear blue skies
I'm spiralling down to the hole in the ground where I hide.

 Como se fosse Alice. Só eu sei como queria que a queda fosse tão agradável quanto Alice a tornou, com todas as suas estantes de livros e pianos pairando ao seu redor - o que diria sobre os meus cigarros apagados e copos de café vazios? A queda está sendo grande, querida, e digo "está sendo" porque nunca acabou, nunca acaba. Já ouviu falar em ciclo vicioso? Pois é. 

If you negotiate the minefield in the drive

And beat the dogs and cheat the cold electronic eyes
And if you make it past the shotgun in the hall,
Dial the combination, open the priesthole
And if I'm in I'll tell you what's behind the wall.

 Eu derrubei o meu muro na hora errada; devia ter esperado pelos gritos de "tear down the wall" em vez de desistir logo no "leaving just a memory". Resta procurar por um abrigo, enquanto os tão falados porcos voadores te ensinam o significado de escárnio, quando riem de você e por Deus, são porcos voadores! Porcos voadores fazem sentido (quando quer estar atrás do muro). 

There's a kid who had a big hallucination

Making love to girls in magazines.
He wonders if you're sleeping with your new found faith.
Could anybody love him
Or is it just a crazy dream?

 Cansei de escrever sobre devaneios e tornar poética a frase sobre porcos que voam. Quero uma vida real, me interessar pelo real, sem viver na sombra de tudo aquilo que eu queria que fosse. A vida não te dá o que quer, dá o que precisa. E às vezes você descobre que não precisava tanto assim, capas de revista podem mentir, fotografias não são provas da verdade. 

And if I show you my dark side

Will you still hold me tonight?
And if I open my heart to you
And show you my weak side
What would you do?
Would you sell your story to Rolling Stone?
Would you take the children away
And leave me alone?
And smile in reassurance
As you whisper down the phone?
Would you send me packing?
Or would you take me home?

 Venda sua história para a Rolling Stone, já nem me importo. Faltam as palavras toda vez que tento mostrar esse lado para alguém - e tem você. O passado assombra. Demora para ser passado. Demora para passar.

Thought I oughta bare my naked feelings,

Thought I oughta tear the curtain down.
I held the blade in trembling hands
Prepared to make it but just then the phone rang
I never had the nerve to make the final cut.
"Hello? Listen, I think I've got it. Okay, listen its a HaHa!" 

 Boa parte das cicatrizes já sumiram.

segunda-feira, 11 de março de 2013

In The Flesh?


 "Então você achou que poderia gostar de vir ao show?
 O calafrio aconchegante da confusão é ilusório, sunshine, e isso certamente não é o que você esperava ver. As cortinas se abrem mas o vermelho vivo continua poluindo seus olhos, e o palco torna-se irritante, enjoativo. A banda começa a tocar, indigna de qualquer aplauso. 
  A pianista toca melodias fora de ritmo e aceleradas, bailarinas dançam desastradamente para a platéia indignada. Ah, pois a sua presença é dispensável, mon amour. Neste show improvisado só existe espaço para erros e dores e incertezas. 
 A música torna-se mais pesada, batidas fortes como o coração do maestro que é só mais um tijolo no muro. E os espectadores que são só tijolos no muro. Mas somos tijolos que cantam e choram e sangram e vivem em um palco sem audiência, esperando que um desavisado entre no teatro e apenas… Se interesse.
 If you wanna find out what’s behind these cold eyes, you’ll just have to claw your way through this disguise."
14 de Abril de 2012.

domingo, 6 de janeiro de 2013

you stranger

Quase passou em branco, querido, e isso sim seria algo imperdoável. Não posso deixar de falar sobre você, Roger "Syd" Barrett, um dos meus maiores ídolos e com quem me identifico no dia em que seria seu aniversário. Eu sou eu e você é grande parte de mim, e eu te entendo, sabe? Eu leio sobre você e quando te apontam a loucura eu penso "eu sei o que é isso". Provavelmente penso de forma errônea, mas eu consigo me identificar com você de uma maneira que nem saudável é. De qualquer forma, você me inspira. Sua criatividade, suas metáforas, sua música e poesia, e eu almejo alcançar o nível que você alcançou, por mais que sua história tenha um final tão belamente depressivo. Sabe que sempre perco as palavras quando falo de você, creio que minha relação é complexa demais dentro da minha própria alma para transformar em palavras a minha admiração por ti. É por aí. Feliz aniversário, Syd, e perdoe-me pela falta de inspiração. Pelo jeito inspiração é algo dois mil e doze demais para mim. Mesmo que Jugband Blues encha meu coração de poesia.
come on you target for faraway laughter, come on you stranger, you legend, you martyr and SHINE!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

vera, what has become of you?

 Trocou a esperança inocente pelo sorriso de crocodilo. Já não é mais Junho querida, e os meses corridos te moldaram até que não reconhecesse a tua sombra ao meu lado, à minha frente. Repito de novo e mais uma vez; não me ensinou a ficar sem a sua presença mas já sei me virar. E o faço melhor que você - sou melhor atriz no seu teatro melancólico com máscaras felizes. Talvez até caberia jogar aqui um "do you remember me and how we used to be and do you think we should be closer?", mas ora, eu tentei e por quatro vezes tive as mãos atadas enquanto sentia os laços se desintegrando. Corda fina essa que usamos.
 Um dia você vai crescer, mon amour. Espero que você cresça, e olhe ao seu redor apenas para encontrar os espaços vazios onde nós estávamos. E talvez você olhará para trás e dirá que não deveria ter me afastado para longe. Talvez eu esteja te esperando. Talvez eu volte a ser sua melhor amiga. Talvez, talvez, e talvez.
 No final do dia... Só estou sendo feliz.

domingo, 7 de outubro de 2012

E foi por bem querer...

 Eu sou sua menina, viu.
 E hoje o coração não tá cheio de poesia; hoje aumento o volume da música, mas a guitarra do David Gilmour não é alta o suficiente para calar os pensamentos. Hoje vejo como a Lua é grande - ela é grande, eu sou pequena. Hoje eu procuro o seu lado sombrio, e não pergunte como! encontrei o arco-íris na noite.
 Sou o apunhado de pedaços que espalham-se pelos lugares, pela cidade, pelo país. Pode me encontrar nos paralelepípedos de São Paulo ou no mar salgado do Rio de Janeiro; no tédio do Rio Grande do Sul ou no passado de Santa Catarina. Vá em frente, é sua vez de tirar outro pequeno pedaço! Guarde-o onde quer que esteja, essa parte tem o seu nome escrito, senhor - essa parte espera pela dor do bisturi arrancando-a. Doce é a dor, doloroso é o amor.
 Me fiz em mil pedaços pra você juntar. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O tempo não espera

 Quando foi que comecei a correr? Há alguns minutos o céu parecia tão azul... E então, mais rápido que um piscar de olhos, tudo mudou. A avenida se alongou e pessoas pareceram surgir de todos os cantos. E veio aquele sentimento de claustrofobia, embora não houve qualquer parede física por perto.
 Tomei consciência da minha própria existência e me lembrei da aula de Sociologia mais cedo. Lembrei de como uma mente cética e niilista leva ao vazio existencial. Deu vontade de ter fé e algo a mais no que acreditar; talvez algum tipo de transcendente pudesse levar meus pensamentos para longe daquele maldito lugar.
 Maldita avenida. Maldito John Lennon. Maldita Cásper Líbero e maldito Drummond. Maldita cafeína. Malditas árvores e malditos prédios - tinham de ser assim tão altos? Maldita alucinação, que fez meus passos parecerem leves por mais que jogasse os pés contra o asfalto. E, malditos à parte, é fim de ano. 

Kickin' around on a piece of ground in your hometown
Waiting for something or someone to show you the way
Tired of lying in the sunshine, staying home to watch the rain
You are yound and life is long
And there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run
You missed the starting gun.
And you run, and you run to catch up with the sun but it's sinking...

sábado, 22 de setembro de 2012

Now in a heartbeat, I would do it all again

18/08/2012
 Encosto a cabeça no travesseiro; o silêncio faz com que as batidas do coração se tornem irritantemente altas (parece até hipnopedia). Coloco os fones de ouvido, e droga!, o mesmo maldito som ecoa na primeira música do Dark Side of The Moon. Dá vontade de gritar, arrancar, entregar-te o que há tanto já é seu. 
 Não o quero mais - dói demais. Descartar a página já não funciona mais, querido, tornou-se tão impregnado quanto a tinta da tatuagem que diz para deixar estar. Já és parte de mim; deixa-me ser parte de ti. 

Não consegui pensar em um título pra isso

03/09/2012
 Sozinha pelas ruas de São Paulo, o ar gélido e extremamente seco bate como lembrança de por quê estava ali. O cenário era complemento dos pensamentos quase niilistas que assombraram desde que acordei - os homens de terno que fumam seus cigarros, os músicos jogados na sarjeta e os poetas corteses debruçando-se com seus poemas em mão. A voz de Syd Barrett nos ouvidos era a explicação; não é ele o maior exemplo de loucura?
 Acordei pensando na loucura e no que deixa as pessoas loucas. E tem resposta? Se a encontrasse, talvez me taxassem de louca mas... Já não o fazem? Sei que sou louca, sempre fui, como a maioria de nós. Vai dizer que o cara do Dark Side of The Moon não faz sentido? Somos todos loucos. Essa mulher que faz careta para a máquina da frente do orelhão pintado de cérebro; só pode ser louca. Esse homem que acabou de apagar um cigarro e já procura nos bolsos a próxima dose de tabaco; louco (com alguma porcentagem de uma morte precoce).
 Mas existem tipos e tipos de loucura. Não dá pra mandar um "te vejo no lado sombrio da lua" se você achar que o cara vai se suicidar - ou talvez virar astronauta - para comparecer ao encontro. E são essas as pessoas que trancam nos hospícios. Por quê ninguém pensa na loucura (e veja bem, vamos trocar a palavra loucura por estupidez) de quem rouba ou mata ou mente? São presos; deveriam ser internados. Vê esse julgamento do mensalão, só tá servindo mesmo para criar a utopia de que depois dele a política não vai ser corrupta. Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros...
 A verdade é que as pessoas ficam loucas para não perderem a razão. Transformam a loucura em arte, espalham a loucura e tornam-a sensata. Pelo menos mais sensata do que matar e roubar e mentir e não se tocar que tá tudo bem se o lunático está na grama; os loucos são as melhores pessoas. A loucura é relativa; a estupidez não. (Mas até aí, sou louca por pensar assim.)