terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
I have become comfortably numb
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Sobre a greve dos metroviários e a chama de uma ideia
Na verdade, nem tudo foi tão indiferente assim e eu passei pelo maior incômodo ao ouvir que "o direito da greve foi suspenso". Fácil, não é? Conveniente. Difícil mesmo é entender que a suspensão de um direito a qualquer momento que o governo achar conveniente é o mesmo que opressão.
Inclusive, vi muitas sombras e clarezas da opressão ultimamente. A violência da polícia frente aos manifestantes que só exerciam o seu direito, as prisões da manifestantes, a importação de tanques que lançam jatos de água e comentários políticos aos quais deve-se prestar atenção ao que não é dito. Justamente no ano em que completam-se 50 anos do Golpe Militar de 1964, são tantas essas marcas da repressão...
É tudo simples se você parar para pensar. Você pode protestar - desde que não atrapalhe o bom andamento de tudo. Você tem o direito de entrar em greve - até um tribunal achar conveniente criminalizar a sua causa. Você pode desejar um salário mais alto, de acordo com as suas tarefas e suficiente para viver nesse mundo onde tudo o que importa são os número, mas... vamos ser realistas? Faz parte do jeitinho brasileiro se conformar e "se virar" com o que nos é dado. E o governo sabe muito, muito bem disso.
Tenho consciência de que não posso dissertar de acordo com a greve dos metroviários porque não vivo a sua realidade, mas sei bem como é o desejo de lutar pelo que acredito estar certo e ser reprimida de tantas formas que poderia escrever um livro. Acho que isso não vale nada (mas, na verdade, se fizessem como eu, valeria de muito), mas declaro o meu apoio total à greve dos metroviários e de qualquer outro sindicato que esteja cansado de aguentar tudo calado. Que o Brasil faça o barulho digno da torcida das arquibancadas e mude o significado do jeitinho brasileiro. A minha sugestão? Que o jeitinho brasileiro seja a forma como nos mantemos em pé até mesmo diante da Tropa de Choque, uma vez que você pode machucar o homem, mas não pode nunca, jamais, por mais que se tente, matar uma ideia.
domingo, 25 de agosto de 2013
Abre os olhos e descobre o que significa Comfortably Numb
Essa conversa de sentir falta do que costumava ser já ficou tão velha quanto a avenida que costumava chamar de refúgio. Depois de oito meses diretos, essa Paulista virou desgastada. Tá na hora de mudar o discurso, né?
Hoje passeio pelo meu quarto. Muita coisa acontece de um canto ao outro quando sua própria alma se tornou maçante demais; insuportável demais. Percebi que a "antiga eu" nunca deu muito certo. E então decidi que era nova demais pra me preocupar com política; que Pink Floyd traz pensamentos de crise de meia-idade; George Orwell talvez nunca aprendeu a se divertir. Eu me diverti. Céus, como me diverti. Fingi que corpo e mente tinham dezoito anos, mas quem disse que eu gosto de ser adolescente?
Existem dois pólos distantes na minha parede. No primeiro, letras de músicas das minhas bandas preferidas julgam e traduzem o que sempre fui. O segundo parece não se importar; somos humanos ou dançarinos? E The Who grita "you stop dancing!"
Gosto do que fui e do que sou agora. Gosto do meu gosto musical amplo - você sabe, apreciar uma música que te faz arrepiar, mas também dançar sem compromisso ao som de uma canção que não me faça pensar. O problema está naquela crônica sobre o chapéu coco e brincar com as pessoas (entendi minha obsessão por chapéus...) - não foi tão interessante quando deixei que brincassem comigo.
Confortavelmente entorpecida significa encontrar a pessoa que parece perfeita para você e perceber que deixei de ser essencialmente o ideal para ela. Perdi a coragem de despir sentimentos e a ousadia de jogar com as palavras por puro medo de descobrir o que encontraria. Chegou a hora de enfrentar o compromisso: não mais acreditar que sentimentos alheios não importam e que sou jovem e inocente demais para me preocupar com problemas maiores que eu.
Vamos falar sobre equilíbrio?
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Mother, should I (re)build the wall?
Zona de conforto. Não entendo toda essa algazarra em torno do conceito. O que existe de tão errado em respeitar os limites que você mesmo cria? Sua zona de conforto é, afinal, sua zona de segurança, seu escudo contra qualquer coisa que possa machucar. E por que infernos você iria querer se machucar?
Sair da zona de conforto é desconfortável, constrangedor, perigoso e arriscado. Vou fazer melhot reconstruindo aquele muro de tijolos brancos e canções codificadas.
sábado, 13 de abril de 2013
Boa noite, Charlotte
Revirou-se na cama, à procura dos lençóis que se perderam em algum ponto do dia, tarde ou noite. Charlotte encontrava-se vazia, perdida no próprio quarto que de súbito parecia grande demais para confortá-la. Sabia bem onde queria estar. Porém, aprendera por toda a sua vida que o querer é tão, tão diferente do poder. E justo na noite anterior o querer sem poder fizera com que fosse obrigada a aguentar esse silêncio tão ensurdecedor em sua própria casa.
Não achei que te encontraria em mim mais uma vez, Charlotte. Sabemos o que temos que fazer agora, não é? Primeiro pegaremos aquele 1984 e rasgaremos suas páginas em protesto ao Grande Irmão. Depois colocaremos as palavras da nossa pequena Alice em nossos lábios e faremos delas os nossos mantras. Então será a hora de cantar "if I go insane please don't put your wires in my brain" e torcer para que alguém nos ouça e atenda ao pedido. Abaixaremos os olhos para as cenas românticas na televisão e arrancaremos penas das minhas asas para continuar enchendo essas páginas de metáforas roubadas. Porque você sempre foi parte de mim e eu torço para que me deixe.
domingo, 7 de abril de 2013
1. Summer '68
domingo, 17 de março de 2013
Da falta de coragem.
I can barely define the shape of this moment in time
segunda-feira, 11 de março de 2013
In The Flesh?
domingo, 6 de janeiro de 2013
you stranger
come on you target for faraway laughter, come on you stranger, you legend, you martyr and SHINE!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
vera, what has become of you?
Um dia você vai crescer, mon amour. Espero que você cresça, e olhe ao seu redor apenas para encontrar os espaços vazios onde nós estávamos. E talvez você olhará para trás e dirá que não deveria ter me afastado para longe. Talvez eu esteja te esperando. Talvez eu volte a ser sua melhor amiga. Talvez, talvez, e talvez.
No final do dia... Só estou sendo feliz.
domingo, 7 de outubro de 2012
E foi por bem querer...
E hoje o coração não tá cheio de poesia; hoje aumento o volume da música, mas a guitarra do David Gilmour não é alta o suficiente para calar os pensamentos. Hoje vejo como a Lua é grande - ela é grande, eu sou pequena. Hoje eu procuro o seu lado sombrio, e não pergunte como! encontrei o arco-íris na noite.
Sou o apunhado de pedaços que espalham-se pelos lugares, pela cidade, pelo país. Pode me encontrar nos paralelepípedos de São Paulo ou no mar salgado do Rio de Janeiro; no tédio do Rio Grande do Sul ou no passado de Santa Catarina. Vá em frente, é sua vez de tirar outro pequeno pedaço! Guarde-o onde quer que esteja, essa parte tem o seu nome escrito, senhor - essa parte espera pela dor do bisturi arrancando-a. Doce é a dor, doloroso é o amor.
Me fiz em mil pedaços pra você juntar.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
O tempo não espera
Tomei consciência da minha própria existência e me lembrei da aula de Sociologia mais cedo. Lembrei de como uma mente cética e niilista leva ao vazio existencial. Deu vontade de ter fé e algo a mais no que acreditar; talvez algum tipo de transcendente pudesse levar meus pensamentos para longe daquele maldito lugar.
Maldita avenida. Maldito John Lennon. Maldita Cásper Líbero e maldito Drummond. Maldita cafeína. Malditas árvores e malditos prédios - tinham de ser assim tão altos? Maldita alucinação, que fez meus passos parecerem leves por mais que jogasse os pés contra o asfalto. E, malditos à parte, é fim de ano.
sábado, 22 de setembro de 2012
Now in a heartbeat, I would do it all again
Encosto a cabeça no travesseiro; o silêncio faz com que as batidas do coração se tornem irritantemente altas (parece até hipnopedia). Coloco os fones de ouvido, e droga!, o mesmo maldito som ecoa na primeira música do Dark Side of The Moon. Dá vontade de gritar, arrancar, entregar-te o que há tanto já é seu.
Não o quero mais - dói demais. Descartar a página já não funciona mais, querido, tornou-se tão impregnado quanto a tinta da tatuagem que diz para deixar estar. Já és parte de mim; deixa-me ser parte de ti.
Não consegui pensar em um título pra isso
Sozinha pelas ruas de São Paulo, o ar gélido e extremamente seco bate como lembrança de por quê estava ali. O cenário era complemento dos pensamentos quase niilistas que assombraram desde que acordei - os homens de terno que fumam seus cigarros, os músicos jogados na sarjeta e os poetas corteses debruçando-se com seus poemas em mão. A voz de Syd Barrett nos ouvidos era a explicação; não é ele o maior exemplo de loucura?
Acordei pensando na loucura e no que deixa as pessoas loucas. E tem resposta? Se a encontrasse, talvez me taxassem de louca mas... Já não o fazem? Sei que sou louca, sempre fui, como a maioria de nós. Vai dizer que o cara do Dark Side of The Moon não faz sentido? Somos todos loucos. Essa mulher que faz careta para a máquina da frente do orelhão pintado de cérebro; só pode ser louca. Esse homem que acabou de apagar um cigarro e já procura nos bolsos a próxima dose de tabaco; louco (com alguma porcentagem de uma morte precoce).
Mas existem tipos e tipos de loucura. Não dá pra mandar um "te vejo no lado sombrio da lua" se você achar que o cara vai se suicidar - ou talvez virar astronauta - para comparecer ao encontro. E são essas as pessoas que trancam nos hospícios. Por quê ninguém pensa na loucura (e veja bem, vamos trocar a palavra loucura por estupidez) de quem rouba ou mata ou mente? São presos; deveriam ser internados. Vê esse julgamento do mensalão, só tá servindo mesmo para criar a utopia de que depois dele a política não vai ser corrupta. Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros...
A verdade é que as pessoas ficam loucas para não perderem a razão. Transformam a loucura em arte, espalham a loucura e tornam-a sensata. Pelo menos mais sensata do que matar e roubar e mentir e não se tocar que tá tudo bem se o lunático está na grama; os loucos são as melhores pessoas. A loucura é relativa; a estupidez não. (Mas até aí, sou louca por pensar assim.)
