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segunda-feira, 11 de março de 2013

In The Flesh?


 "Então você achou que poderia gostar de vir ao show?
 O calafrio aconchegante da confusão é ilusório, sunshine, e isso certamente não é o que você esperava ver. As cortinas se abrem mas o vermelho vivo continua poluindo seus olhos, e o palco torna-se irritante, enjoativo. A banda começa a tocar, indigna de qualquer aplauso. 
  A pianista toca melodias fora de ritmo e aceleradas, bailarinas dançam desastradamente para a platéia indignada. Ah, pois a sua presença é dispensável, mon amour. Neste show improvisado só existe espaço para erros e dores e incertezas. 
 A música torna-se mais pesada, batidas fortes como o coração do maestro que é só mais um tijolo no muro. E os espectadores que são só tijolos no muro. Mas somos tijolos que cantam e choram e sangram e vivem em um palco sem audiência, esperando que um desavisado entre no teatro e apenas… Se interesse.
 If you wanna find out what’s behind these cold eyes, you’ll just have to claw your way through this disguise."
14 de Abril de 2012.

"Talvez eu esteja condenada à passar a vida escondida através dos meus heróis, com fones de ouvido e uma melodia qualquer dos Beatles me salvando do tédio que é a humanidade. E quer saber? Eu nem me importo."
12 de abril de 2012.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Coffee and cigarettes

 Hello there, the angel from my nightmare. Faz um bom tempo desde que sentamos e conversamos, não é mesmo? Cale-se; não quero ouvir de você, sou eu que venho para falar hoje. Eu terminei o ensino médio! Lembra-se do meu desespero? Como eu costumava surtar no primeiro ano por não conseguir resolver uma questão da FUVEST? Acontece que nem a FUVEST eu quis, embora tenha passado (acredita nisso?). Eu passei no vestibular da Cásper Líbero - te lembra alguma coisa, eu sei. E agora vou cursar Jornalismo no período da noite, o que vai ser cansativo porque estou trabalhando. Você adoraria o meu local de trabalho! Acho que você até costuma passar algumas tardes lá, na Livraria Cultura, no meio dos seus filmes. Vou te contar que é tão bom trabalhar lá como ser cliente, embora muitas vezes eu chegue arrancando os cabelos de estresse. Acho que eu tô crescendo, me conhecendo, não sei, mas as coisas estão mudando e está tudo bem. Eu fiz dezoito anos. Minha vida anda meio noturna, sabe? Eu descobri que dançar faz bem e que tudo parece melhor sob o luar. Mas isso também é confuso, e tenho andado perdida com algumas coisas; sei que você poderia me ouvir e me ajudar, mas vamos deixar isso pra outra hora, tá? Agora eu prefiro falar sobre esses rumores do The Who vir pro Brasil com a turnê do Quadrophenia. Maravilhoso! Imagina só ver o Roger e o Pete cantando Helpless Dancer, imagina como eu gritaria YOU STOP DANCING! e saberia que nada me pararia. Céus, nada nos pararia... Te contei que eu fui no show do Paul McCartney? Sei que você não gosta de Beatles, mas que noite! Até hoje eu consigo sentir os fogos de Live and Let Die e me arrepiar só de pensar naquela Eleanor Rigby ao vivo. Você se sentiu assim no show do Aerosmith? Não ouço Aerosmith há décadas. Engraçado, costumava ser uma das minhas bandas preferidas, depois de todo o tempo que passei sem ouvir a banda só pra jogar charme pra você. Tenho a discografia inteira no celular, tenho medo de ouvir e não consigo apagar. Por favor, não se incomode com essas lágrimas nos meus olhos - é só coisa de adolescente, sabe, algumas coisas dão saudades. Me disseram que o tempo te faria menos importante e... Quanto tempo faz? Anos. E você é meu melhor amigo, mesmo que a conversa seja um monólogo (mal feito, devo dizer). Mas tá tudo bem, eu me acostumei e eu chego ao fim de cada dia. Vou continuar sonhando, cantando até virar realidade, eu aprendi o que me ensinou. Só vim aqui hoje para te contar que eu estou feliz com tudo o que tenho conseguido. Me deseja boa sorte para esse futuro tão próximo? Sabe que suas palavras são meu amuleto. Ou até seus pensamentos. Desde que eu ainda exista em algum lugar de você. Ou não. Você existe em mim o suficiente por nós dois.
Att.
não sei o porque do título

sábado, 8 de dezembro de 2012

Primeiro poema


O que quero não é importante
Diante daquilo que querem de mim
E, ah, essas ordens eu bem conheço!
“Estude, trabalhe, procrie,
Vista a máscara, torne-se a máscara.
És inteligente; defenda o comunismo e
Viva o capitalismo!
Se entretenha, para isso existem os vampiros.
Quem é esse tal de Aldous Huxley?
Olhe para esta boneca, tão bela...
Sei que queres ser como ela.
Olhe para este novo modelo, é revolucionário!
Sei que queres virar teu escravo.
Descanse, dance, balance.
Aceite, respeite.”
Mas quero mais do que isso, além disso
Quero o inexistente e descontente,
O verdadeiro e passageiro.
Quero cair, me jogar, me quebrar em mil pedaços
Existir e resistir.


Primeiríssimo. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Todos os meus livros têm manchas de café

 Parei pra pensar no café.
 Nunca fez muito sentido, esse meu amor pelo café.
 Não só amor - admiração, vício e até uma certa idolatração.
 Adulação.
 Porque é o café minha divindade, meu transcendente, meu rei e governante.
 O café não te abandona, não faz de você mero objeto.
 O café não te machuca.
 É capaz de transformar a fervura em conforto
 E o amargo em alívio.
 É um prazer simples, alcançável, fácil.
 Não é preciso esperar que o café te encontre.

(Achei isso num caderno antigo, e sim, ele termina de repente... Não lembro o por quê disse mas foi interessante ver coisa passada.)